Saturday, September 02, 2006

Falta.


Na mesa, o prato vazio denuncia o abandono.
Nada se mexe, nada muda.
A cadeira esperando o peso, o copo esperando os lábios.

As risadas dos espertos, que entendem a piada.
O gargalhar do sarcasmo. Por que esperar?
Fingir entender? Não. Prefiro o silêncio.

E de repente, você vê que a piada era sobre sua vida.
E a platéia, chora.
O ator chora.
Grande comédia do nada. Um ato atrás do outro. O mesmo texto, sempre.
Que finaliza com uma lágrima forçada, daquelas que só os melancólicos derramam.

Entre, puxe uma cadeira.
Perca alguns minutos de sua vida. Nada é eterno.
Efêmero. Fugaz. Bem vindo a minha rotina.

Algoz de beleza inocente.
De minha ilusão, nascem frutos doces.
Na tua crença, morre o meu presente.

Não. Não entre.
Não esquente minha manhã com um bom dia.
Não manche meu cabelo com carinhos imaginários.

A solidão é calada.
Mas meu grito ecoa.

Vou deixar a chave sob o tapete.
Mas irei trocar a fechadura.



PS: Batman, porque de uma maneira ou outra, somos parecidos.

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