Thursday, June 28, 2007

Pérolas aos Porcos

Se eu soubesse que os porcos devorariam minhas jóias, sem nem antes apreciar seu toque suave gentil, não as teria atirado para tão longe.

Eram minhas pérolas, minhas jóias raras, sem preço. Dadas á mim, em um jogo simples de cartas, em que a vencedora sempre fui eu, e também a perdedora. E sim, como foi duro perder, e me levantar, e me reerguer, das cinzas, do chão, da poeira.

Mas quando ganhava, era tão bom! Eu sabia que meu jogo havia sido limpo, cristalino, sem trapaças, sem blefe.

Mas era tudo tão efêmero, tão fulgaz, apesar de tudo, era apenas um jogo.

Mas foi assim que ganhei minhas jóias, meu ouro, minhas pérolas.

E não contrariando a regra dos porcos, elas foram jogadas.
E consumidas com tanta fome e avidez, que não me restou nada além de assistir.

Sentar e desfrutar o show. Tantas horas, tantos momentos sentada á mesa, esperando a próxima mão. Valete, copas, um Rei, mas nunca uma Rainha.

A Rainha foi sempre meu sonho. Exuberante, minestral, com seu olhar de superioridade em meio á mesmice á sua volta. Mas não nasci para ser Rainha. Sou subjugada por blefes que não faço, por cartas embaixo de um manga que não existe.

E agora assisto á matança de meus colares, em uma boca suja de meu sangue.

1 comment:

Paulo Vilmar said...

Mas, não se jogam pérolas aos porcos????

Lindo texto - continue...